Aeronaves e milhares de bombeiros e militares estão em campo tentando combater as chamas, mas o primeiro-ministro tem sido duramente criticado por ter demorado a agir, tirado férias no Havaí em plena crise e por minimizar o impacto das mudanças climáticas nesse episódio (…)

O que está acontecendo na Austrália?

por BBC News, 14/01/2020 às 19h53

Amplas áreas da Austrália foram devastadas pelos piores incêndios que o país viveu em décadas. Chamas gigantes destruíram árvores, florestas e parques nacionais. Temperaturas recordes e meses de seca ajudaram a propagar o fogo, que atingiu cerca de 10 milhões de hectares (100.000 km²) desde o início de julho. As condições climáticas melhoraram no fim de semana, dando aos bombeiros um respiro.

Mas autoridades dizem que grandes incêndios vão persistir até que venham chuvas em grande volume. Temperaturas elevadas são esperadas para a próxima semana e ainda há riscos de propagação de queimadas. Enquanto isso, milhares de bombeiros, militares e voluntários ainda lutam contra o fogo.

Cidades inteiras foram devoradas pelas chamas e moradores de diferentes Estados australianos perderam suas casas. Pelo menos 28 pessoas morreram. Autoridades estaduais e federais têm trabalhado em conjunto para conter a propagação das chamas. Certos focos foram contidos em poucos dias, mas muitos continuam ativos há meses.

Várias pessoas estão envolvidas na luta contra o fogo

Pelo menos 3,7 mil bombeiros integram os esforços de combate aos incêndios. A maioria está nos Estados de New South Wales e Victoria, os mais afetados. No período de maior concentração de focos de incêndio, 2,7 mil bombeiros atuaram só em New South Wales.

Equipamentos pesados e diversas aeronaves estão sendo usadas

No total, mais de 500 aeronaves estão disponíveis para o combate a incêndios em todo o território australiano, de acordo com o National Aerial Firefighting Centre (Centro Aéreo de Combate ao Fogo), que tem a sua própria frota de cerca de 130 aeronaves prontas para dar reforço aos Estados, quando solicitado.

Governo sob críticas

O primeiro-ministro tem enfrentado várias críticas por não ter se antecipado à crise, pela demora em agir quando ela começou e pela relutância em admitir a ligação entre os incêndios e as mudanças climáticas. Morrison acabou forçado a pedir desculpas por ter viajado de férias com a família para o Havaí no mês passado, no auge da crise. O premiê disse estar arrependido da forma como lidou com o desastre inicialmente e disse que uma comissão iria investigar a resposta que o governo deu. Ele também prometeu liberar US$ 1,4 bilhão para ajudar o país a se recuperar. Mas Morrison está sendo pressionado a fazer mais para cortar as emissões de carbono da Austrália e combater as mudanças climáticas, que têm provocado um aumento nas temperaturas médias do país.

O que podemos entender pelos dados?

Os últimos dados do Escritório de Meteorologia da Austrália mostram que 2019 foi o ano mais quente e seco já registrado no país. Essas condições foram provocadas pelo aquecimento global e por um fenômeno climático chamado dipolo do Oceano Índico, que consiste num raro aquecimento estratosférico. No ano passado, a temperatura média no país foi 1,52° C mais alta que a média de 21,8° C entre 1961 a 1990. O recorde anterior tinha sido em 2013, quando o país viu um aumento de 1,33° C.

“Precisamos de novas abordagens de manejo de desastre, como uma equipe profissional que possa ser acionada a qualquer momento do ano e ser deslocada a qualquer ponto do país para responder a diferentes tipos de desastres” – Dale Dominey-Howes, diretor do grupo de estudos sobre desastres naturais na Ásia e Pacífico na Universidade de Sydney.

O clima mais quente provocou um aumento nos incêndios e na duração do período de queimadas. A escala e intensidade dos incêndios neste ano e o fato de que eles tendem a se tornar um fenômeno comum indicam que as autoridades australianas terão de adotar medidas para preparar o país para os anos que virão.

fonte: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/01/14/o-que-a-australia-esta-fazendo-para-combater-os-devastadores-incendios-florestais.ghtml